NOTÍCIA | DOI 10.5281/zenodo.19772817
História Editorial ministra workshop voltado às práticas de História Pública Negra em projetos Wikimedia na JEHP 2026
O campo da História Pública no Brasil vem alargando as perspectivas de pesquisa e práticas na última década. No estado de Minas Gerais (MG) ocorreu a 3ª Jornada de Estudos Históricos e História Pública (JEHP), entre os dias 22 e 24 de abril, organizada pelo Laboratório de História Pública da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em formato remoto. O evento teve como tema História, Mídias e Narrativas: usos e disputas pelo passado, e contou com palestras, simpósios temáticos (STs) e workshops.
O laboratório História Editorial ministrou um dos cinco workshops realizados no evento. O workshop, intitulado Crowdsourcing e as práticas de História Pública Negra nos projetos Wikimedia, foi ministrado pelos pesquisadores Geferson Santana e Tatiane Maria Barbosa de Oliveira, na quarta-feira, 22, das 13h às 17h. O workshop teve como objetivo apresentar os projetos da Wikimedia Foundation como ferramentas promissoras para o desenvolvimento de práticas de História Pública Negra pelos historiadores e estudantes da graduação em História, bem como por coletivos e setores dos movimentos sociais dedicados à divulgação do conhecimento histórico de grupos socialmente marginalizados, como a população negra, alargando as possibilidades de atuação desses profissionais no âmbito das mídias digitais.

As discussões sobre História Pública Negra foram articuladas visando destacar a importância de desenvolvermos uma frente antirracista em bancos de dados estruturados como o Wikidata, da Wikimedia Foundation, desenvolvendo não apenas atividades de inserção de dados sobre a história afro-brasileira, história negra e relações raciais, como também curadorias de dados enviesados pelo eurocentrismo, os quais têm sido utilizados para o treinamento de inteligências artificiais (IAs). Trata-se aqui, portanto, de uma frente de combate ao racismo algorítmico e pela equidade epistêmica em ecossistemas digitais, recomendando a presença de profissionais qualificados como os historiadores, como possibilidade de implementação de curadorias ou auditorias voluntárias por parte destes profissionais, atentos às desigualdades raciais e ao epistemicídio nessas mídias.
“O workshop […] foi, de fato, uma experiência ímpar no que se refere à produção, disseminação e, sobretudo, à desconstrução do conhecimento hegemônico. A partir dele, é possível evidenciar como essa oficina, ao articular teoria e prática, fomentou reflexões sobre a construção de uma História Pública Negra e, principalmente, de uma história que atravessa a esfera digital como um processo de aprendizagem compartilhada”, comentou o doutorando Thiago Medeiros, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que tem se dedicado ao estudo das mídias digitais negras do Ceará.
Outro depoimento interessante foi do professor Michel Kobelinski, da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), e secretário da International Federation for Public History (IFPH). “Agradeço pela oportunidade de participar do workshop […]. Os conteúdos organizados e discutidos auxiliarão na orientação de Rita D. Lima, pesquisadora dedicada à História Pública Negra nas dissertações do Mestrado em História Pública da UNESPAR. A atividade aproximou essa investigação do universo Wikimedia, especialmente ao tratar o crowdsourcing como prática de escrita, revisão e disputa pela visibilidade digital. O encontro reforçou a importância da interatividade para além do acesso, envolvendo autoria, validação e responsabilidade pública. Foi uma experiência formativa, crítica e muito significativa para pensar histórias e memórias negras, a colaboração em rede e seus vínculos com a História Pública Digital”, declarou.
A participação do laboratório se encerrou com a apresentação da comunicação científica de nossos estudantes, Karen Rebeca de Souza e Silva e Anderson Douglas, intitulada A divulgação científica e o fortalecimento da Lei 10.639/2003 a partir das práticas de História Pública do Laboratório História Editorial, sob a supervisão de Geferson Santana. O trabalho foi apresentado no ST 6 – História Pública e História dos/as Subalternizados/as, espaço dedicado à reflexão sobre práticas historiográficas comprometidas com a valorização de sujeitos, saberes e experiências historicamente marginalizadas.
OLIVEIRA, Tatiane. O laboratório História Editorial participou da jornada de História Pública da UFTM. História Editorial, 25 abr. 2026. DOI: 10.5281/zenodo.19772817. (Notícia). Disponível em: https://historiaeditorial.com.br/o-laboratorio-historia-editorial-participou-da-jornada-de-historia-publica-da-uftm/. Acesso em: 25 abr. 2026.
Doutora pela Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora da gestão e história do Jogo de Damas no Brasil. Revisora de norma culta de língua portuguesa e pesquisadora do História Editorial.
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